Saga dos Pergaminhos - Capítulo 8

Tenha uma boa leitura!

Um rápido tentáculo amarelo avançou na direção de Totodile e por pouco o jacaré azul conseguiu usar seu Water Gun mirando abaixo de si, assim sendo projetado para cima numa evasiva bem sucedida.

Jolyeta: Neth, vai logo! - Gritou enquanto não tirava os olhos da batalha travada entre seu Totodile e o Shuckle do monge inimigo.

Neth: Eu nunca vi uma tranca eletrônica, não sei o que fazer! - Gritou em desespero.

As outras duas prisões-aquário já tinham seus cadeados destruídos no chão e estavam abertas, mas os dois Tyrogue permaneciam meditando. 
Toda aquela barulheira chamou a atenção do Tyrogue que treinava no saco de pancadas, o fazendo se aproximar do vidro.

Neth: Eu tô tentando te ajudaR. Espera um pouco! - Disse para o pokémon.

A mão de Tyrogue começou a se envolver lentamente por uma aura azulada em movimentos circulares, e então, o pokemon abriu a mão e cortou o ar à sua frente.

Neth: Não funcionou...

Do rodapé do vidro, rachaduras começaram a se formar e se espalharam rapidamente por toda a extensão do material até que ele explodisse em milhares de cacos. Neth se abaixou para não ser atingido e só se levantou novamente quando todos os vidros estavam no chão.

Jolyeta: O QUE FOI ISSO?! - Continuou gritando.

A distração proporcionada por aquele evento permitiu que o monge entrasse em ação.

Monge: Shuckle, Rapid Spin, por favor!

O pokémon se recolheu em sua concha vermelha e atingiu Totodile na barriga, lançando-o para dentro de uma das prisões-aquário, fazendo com que ele batesse numa parede e caísse com várias dores. Assim que Shuckle voltou para o chão, um de seus tentáculos se esticou até Jolyeta e a chicoteou na coxa antes de se amarrar e começar a puxa-la para perto de si.

Jolyeta: A-AAI!! ME SOLTA SEU NOJENTO! - Ela tentava chutar sem sucesso. — NETH ME AJUDA!! ESSE TROÇO É GRUDENTO!

Neth escorregou a mão pelo bolso na procura da pokébola de Mareep, mas foi lento demais, já que enquanto fazia isso, o Tyrogue recém-solto saltou por cima do treinador e, com um rápido e poderoso movimento de mão, uma onda de vácuo foi projetada.

— TCHAAAAAIII....!

Monge: Shuckle, recue!

Mas o aviso foi tarde demais, o tentáculo de Shuckle se despedaçou em vários pedacinhos amarelos após ser cortado pelo Vacuum Wave de Tyrogue. A única parte que permaneceu intacta era a que estava amarrada na perna de Jolyeta.

Neth: Gente... - Murmurou, incrédulo com o ocorrido.

Jolyeta: Santo amado Audino, obrigada, Tyrogue! - Disse e soltou o tentáculo da perna, jogando-o para longe.

O Tyrogue pousou no chão na frente de Shuckle e entrou em posição de luta.

Monge: Aproveitem o momento de vitória, treinadores. Logo seus pokémon voltarão à liberdade! - Ameaçou. — Vamos, Shuckle.

E assim, os dois saíram correndo pelos corredores infinitos do lugar. Bastou o monge e seu pokémon sumirem para que Tyrogue caísse ajoelhado, cheio de dores.

Jolyeta: Vai ver como ta o Tyrogue, tenho que ajudar Totodile. - Ela instruiu após passar do lado de Neth.

Jolyeta correu para Totodile e a ajudou a se levantar, abraçando a pokémon.

— Daiel... Totototo! - Falava em meio a vários soluços chorões, ela apontava tremendo para a coxa vermelha da treinadora.

Jolyeta: Está tudo bem, eu to bem.

Neth se aproximou do Tyrogue com certa curiosidade, mas medo também.

Neth: Tyrogue? Posso te ajudaR?

— Tay. - Ele fez que sim com a cabeça e tentou se levantar, mas falhou.

Segundos depois de se ajoelhar novamente, Tyrogue caiu no chão inconsciente.

Neth: Joy!! Ele caiu, não sei u quê fazê! - Gritou em desespero enquanto dava tapinhas nas costas do pokémon, achando que ia resolver algo.

Jolyeta: Joly ou Jolyeta, não me chama de Joy!

A Totodile voltou para sua pokébola e Joly aproveitou o momento para ir ajudar.

Jolyeta: Ele ta muito quente, não sei o que ta acontecendo!

Neth: Tu num fez o cuRso de Enfermeira Joy?

Jolyeta: Eu matava aula! Por que acha que eu não posso voltar pra Cianwood?

Neth: Porque você perdeu a Flauta Dourada para aquele monge...?

Jolyeta: Isso também... Mas é porque vão me obrigar a ser mais uma Joy de Johto!

Neth parou por uns segundos se lembrando de quando acordou de madrugada e viu Totodile e Jolyeta fugindo de uma Granbull. É, fazia sentido.

Neth: Então... O que fazemos com eles?

Jolyeta: Se eu não me engano, a Vila de Azalea é por aqui. - Ela pega Tyrogue no colo e se levanta. — Esse Tyrogue está mais leve do que o normal.

Neth: Então vamos logo pra Alezae, Azelae... Esse nome aí que tu falou!

Neth soltou Mareep da pokebola e colocou um dos Tyrogue que meditava em cima da ovelha, em seguida pegou o terceiro pokémon lutador no colo.
Os três voltaram correndo pelos corredores por onde tinham passado antes, os documentos e fotos que antes lotavam a primeira sala do porão á não estavam mais lá, com exceção de uma placa: Day Care do Tio Roberto.

Saga dos Pergaminhos - Capítulo 7

Tenha uma boa leitura!

Jolyeta e Neth se encontraram após Neth cair na armadilha do Monge Rony e seu Sandslash, os quais tinham participado de um ataque na cidade de Goldenrod e roubaram o Porygon 2 do Professor Tracey. Os dois estavam conversando quando um Smeargle apareceu, não qualquer um, o Smeargle do Senhor S.
Os dois jovens corriam pela floresta para conseguir acompanhar o ritmo do Smeargle Policial, algumas Beedrill que se alimentavam de um casulo de Metapod ergueram voo e fugiram graças à movimentação inesperada nas árvores provocada pelos treinadores.

Neth: Ei, nós não somos que nem você, espere! - Protestou enquanto pulava um tronco de maneira desastrosa.

Jolyeta: Se concentra e para de reclama-AAaaa-aAr!

Na frente da menina estava um Pineco, pokémon pinha conhecido por suas pontas afiadas e corpo duro feito pedra. O que salvou Jolyeta de uma queda dolorosa foi um Grass Knot ativado pelo Smeargle, que amarrou o pulso dela e a puxou para trás.

Jolyeta: Meu santo amado Audino. - Arfou com a mão no peito. — Essa foi por pouco. Obrigada, Smeargle!

O pokémon se virou e sorriu em resposta, mas Smeargle não tinha parado sua corrida apenas por isso e sim porque finalmente tinham chegado no destino: Uma velha casa de madeira abandonada na floresta.
Neth arfava de cansaço e se apoiou nos próprios joelhos para respirar

Neth: Ta, e agora?

— Smiiie... - Smeargle fala e entra na casa.

Assim que o policial pokémon entrou, uma luz vermelha foi produzida lá dentro.

Neth: Isso não é a luz que a pokébola faz quando retoRna um monstro..?

Jolyeta: Ai meu santo amado Audino, o Smeargle foi retornado, quer dizer que o Senhor S ta lá dentro! - Ela surta, saltitando de felicidade pra lá e pra cá. — Vamos entrar, rápido!!!

Jolyeta pega no pulso de Neth e corre em direção a casa, abrindo a porta com uma força enorme.

Senhor S: Bater na porta antes de entrar é um dom para poucos. - Falou um homem de terno marrom, calça social cor creme e cabelos escuros que tinham tanto gel que não surpreenderia saber que um pote inteiro tinha sido posto ali. — Entre... Os dois.

Durante a repreensão, a enfermeira abaixou a cabeça em silêncio e Neth ficou parado de braços cruzados, a cara emburrada como uma criança que teve o pirulito roubado.

Jolyeta: Me desculpe, Senhor S... - Murmurou. — Eu sou Jolyeta, de Cianwood.

Neth: Sou Neth. - Falou secamente.

Senhor S: Eu reconheço seu nome, Neth. Tenente Janne comentou sobre ti, o primeiro cidadão de Cianwood a entrar em contato com as raízes. - Sorriu e fechou o caderno de desenhos que tinha em uma das mãos.

Uma rápida olhada antes que o caderno fechasse permitiu que Neth visse o desenho de um quadro com um pokémon raposa amarela e barbuda meditando. Os olhos do treinador correram pelo cômodo com cheiro de mofo e enfim conseguiram achar o quadro do desenho, exatamente igual, sem nenhum detalhe a mais ou a menos.

Senhor S: Com licença.

Jolyeta: Ah, claro, sim, toda! Quer passar? - E saiu da frente da porta.

O detetive ergueu o braço direito como se fosse ver as horas em seu relógio, mas em vez disso tocou em sua tela touch. Um holograma azul em formato de lista se ergueu acima do aparelho e então Senhor S usou a barra de rolagem até achar a palavra que precisava e tocar nela; o holograma se desfez em partículas azuladas e estas foram absorvidas pelo corpo dele.

Neth: Que...? - O treinador mal tinha contato com a vida na cidade e agora que estava em "jornada" sentia-se surpreso com algo novo todo dia.

Senhor S: Extrasensory.

O corpo do detetive começou a vibrar em baixa velocidade até aumentar para a alta, estava tão rápido que deixava para trás reflexos de seus movimentos passados. Jolyeta observava tudo com os olhos brilhando e Neth estava incrédulo, mas tudo acabou logo depois quando as partículas foram expelidas do corpo dele e depois absorvidas pelo relógio, encerrando o movimento.

Senhor S: Essa era a casa do monge que nós estávamos perseguindo. Parece que ele só vinha aqui para rezar.

Neth: O monge que EU estava perseguindo, você quis dizer. - Ele sente a pokébola de Mareep se eletrificar, como sempre acontecia quando Neth fazia malcriação. — Eu to errado? Ele tava aqui na casinha de madeira enquanto eu, Smeargle e Whitney faziam o trabalho sujo!

Senhor S: Hum... - Ele ri e fecha o caderno de desenhos que estava em sua mão novamente, dessa vez era aquele cômodo que estava desenhado e Neth acabou se assustando por sequer ter visto o homem desenhando. Novamente, S ergueu o relógio e usou o holograma, achando a palavra que procurava facilmente. — Teleport.

E sumiu.
Uma única palavra, um único segundo e o detetive simplesmente desapareceu daquele cômodo.

Jolyeta: Você incomodou ele e fez ele ir embora! - Protestou, brava, enquanto andava pelo cômodo.

Neth: Eu incomodei ele?! O cara me deixou na mão e por isso caí naquele buraco!

Jolyeta: Você não entende, ele é muito ocupado. - Continuou falando enquanto caminhava em direção à porta, mas não teve sucesso, afinal, seu pé ficou preso em algo no chão que fez a enfermeira cair na mesma hora.

Neth começou a gargalhar instantaneamente, fazia tempo desde que não ria de verdade como daquele jeito. Depois de terminar de rir, o menino se aproximou e ajudou Joly a se levantar.

Neth: Ai ai... - Suspirou enquanto recuperava o fôlego. — Isso precisa acontecer mais vezes...

Jolyeta: Não precisa nada! - Reclamou enquanto puxava o tapete, avistando uma espécie de maçaneta. — Sabia que tinha alguma coisa!

E sem pensar duas vezes, Jolyeta puxou a maçaneta para cima, abrindo um alçapão direto para um... porão.
Neth retirou a pokébola de Mareep do bolso e lançou a ovelha la embaixo.

Jolyeta: O QUE VOCÊ TA FAZENDO?! - Gritou enquanto balançava o menino.

Neth: Se tiver alguma máquina de matar aí em baixo, Mareep vai ser o alvo e vamo sabê que não dá pra desceR. - Explicou, todo sorridente, como se fosse normal sacrificar um pokémon. Esperaram dez segundos contados e nada aconteceu com o ovelha, que não estava entendendo nada. — Ah, okay, é seguro.

Os dois desceram pela velha escada de madeira que tinha ali e algumas tosses foram arrancadas dos treinadores graças ao cheiro de mofo presente. Era um lugar escuro com iluminação precária, a pouca que existia era distribuída por velas que já estavam para acabar.

Neth: Entendo que eles gostam da natureza e tudo mais, mas o que custa colocaR lâmpadas? Até na minha fazenda tem...

Jolyeta: Respeite a cultura deles!

Neth revirou os olhos e fez uma careta para a colega, se virando para Mareep logo em seguida.

Neth: Monstro, essa bola na tua cauda serve pra alguma coisa além de enfeite? - Falou com certa grosseria na voz, em seguida, Mareep chacoalhou a esfera da cauda e começou a iluminar o lugar.
 - Riip...

A melhora na iluminação revelou vários papéis colados e até mesmo pregados nas paredes dali, alguns eram fotos de um homem jovem com vários pokémon bebês. Um dos papéis na parede era um certificado com um nome escrito no meio, "Tio Roberto".

Neth: Acho que já vi esse cara... E esse nome... - Murmurou, concentrado em ver todas as fotos.

E foi quando se virou que percebeu que Jolyeta não estava mais ali. O treinador se preparava para gritar o nome dela, mas nem precisou.

Jolyeta: Neth, precisamos ajudar eles. - A voz da treinadora ecoou de um corredor, era nítido que ela estava assustada.

Neth: Eles quem? - Disse enquanto passava pelo mesmo corredor.

Ao fim do corredor, Neth saiu em um hall. Ali, haviam três aquários enormes e sem água, dois deles eram trancados com cadeados enquanto o do meio era trancado por um aparelho eletrônico.

Jolyeta: São Tyrogue... Filhotes de pokémon lutadores. - Informou, apontando para os três pokémon.

Os Tyrogue nas prisões das pontas meditavam enquanto o Tyrogue na prisão do meio socava e chutava um saco de pancadas. Neth observava esse e acabou por notar tristeza e raiva no olhar dele.

~☀~☀~
Era de noite na fazenda dos Blukleaf, a mãe de Neth já tinha ido dormir após o jantar, mas o menino não. As Mareep dormiam grudadas umas nas outras, quase formando uma grande nuvem, e pareciam não se importar com o eco dos socos e chutes que um garoto dava em um saco de pancadas.

Neth: Um pai - Acertou um soco. — Não deveria trocar a família poR NEGÓCIOS! - E em seguida chutou o saco na região da cabeça, caindo no chão em seguida por puro desequilíbrio.

Uma Flaffy observava tudo sentada bem próxima dele, seus bracinhos estavam cruzados em decepção.
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Neth: Ta olhando o que, Flaffy? Isso é culpa sua! - E apontou o dedo para a ovelha rosada. — E de suas filhas idiotas. - Depois apontou para as Mareep.

— Fyi... - Ela resmungou calmamente antes de se levantar e oferecer sua "mão" para ajudar Neth a se levantar.
~☀~☀~

As lembranças de Neth se dissiparam quando uma terceira voz ecoou naquele lugar. Assustando e chamando a atenção dos dois treinadores que estavam ali.

???: Monge Rony, temos intrusos no Criadouro Zero Quatro.

Saga dos Pergaminhos - Capítulo 6

No último capítulo...
O jovem Neth Buckleaf participou da perseguição ao Monge Rony que estava envolvido no sequestro do Porygon-2 do Professor Tracey e, depois de uma conversa intensa com o monge, caiu em uma armadilha e desmaiou, tendo um novo estranho sonho. A situação que já estava estranha pareceu piorar quando acordou e deu de cara com a já conhecida Enfermeira Jolyeta.
Tenha uma boa leitura!

Era de tarde quando as vozes de pokémon se divertindo começaram a ecoar de um antigo ginásio da cidade de Cianwood. O lugar que antes era abrigo de enormes e musculosos lutadores, agora servia de casa para os mais fracos para a vida selvagem.
Mas eles não estavam sozinhos. Não, nem de longe poderia se afirmar isso, visto que todo dia por algumas horas eles tinham a companhia de uma garota.

Jolyeta: Pompa, se apoie de ponta-cabeça e gire como um Hitmontop! - A menina pediu para a Aipom que não tinha dois dedos da mão-cauda. - Xatu Bico-Quebrado, use seu Sing para combinar com a dança dele. - Dirigiu o pedido para o Xatu de bico superior quebrado.

Pompa pulou nas costas de Nara, a Spinarak que não tinha o característico rosto presente nas costas da espécie, usando-a de plataforma para dar um segundo salto e tomar impulso para cima. Depois de atingir certa altura, começou a cair girando a cauda como uma hélice de helicóptero, chegando ao chão girando feito um dançarino.

Jolyeta: Está cada vez melhor, Pompa!

O Xatu ergueu voo e pousou atrás de Pompa, abrindo as asas e usando o Sing. A música desafinada era no ritmo de A Dona Ariados.

Jolyeta: Agora vamos... - Seu corpo travou e uma única voz passou a ecoar em sua mente.

"Pegue a Flauta Dourada, Joly! A mamãe ta pedindo!"

Jolyeta: Ahm... Ta bem, Jonny. - E então se virou, caminhando em direção à mochila.

Depois tudo se passou em flashs, como se ela fosse só uma espectadora numa sala de cinema assistindo o que seu corpo fazia. A enfermeira pegou a flauta e em um piscar de olhos estava entregando o objeto para um monge que nunca tinha visto. Outro piscar de olhos e o Wigglytuff do monge disparava seu ataque contra um treinador que tinha interrompido tudo.
O vento proporcionado pela força do Hyper Beam fez Jolyeta ser projetada para trás, caindo de bunda no chão.
A visão da menina ficou turva e enquanto estava tudo embaçado ela assistiu o monge fugindo com seu pokémon-rosa e com a flauta na mão. E foi aí que finalmente voltou para o controle do seu próprio corpo.

Jolyeta: O que foi que eu fiz...? - Lágrimas encheram os olhos da enfermeira antes que ela começasse a chorar.

O som do ataque acabou chamando a atenção de Xatu Bico-Quebrado e da Aipom Pompa, estes que correram para onde a treinadora estava. 

- Aipa?! Apa! Apa! - Gritava enquanto saltitava ao redor da treinadora, preocupadíssima.

Jolyeta: Eu tô bem, Pompa. Me ajudem a ver o garoto, por favor.

- Zuruaaaaatu! - Os olhos de Xatu brilharam e o corpo de Jolyeta flutuou antes de ser posta de pé no chão. A voz do pássaro saia diferente dos de sua espécie graças ao bico quebrado.

Jolyeta correu até o treinador e quando chegou perto estranhou o fato de que não havia gotas de sangue ou qualquer ferimento no menino. Ao invés disso, ele estava coberto e rodeado de folhas.

Jolyeta: Vocês ajudaram ele...? - Perguntou, olhando para seus amigos pokemon, que negaram com a cabeça. Não se lembrava de nenhum deles conhecer ataques do tipo planta. — Ta... Me ajudem a levanta-lo.

A menina pegou na mão do desmaiado e iria puxa-lo, mas sua visão escureceu e em seguida se viu passando em alta velocidade por uma floresta. Galhos batiam em seu rosto e seu corpo passava por dentro de arbustos, mas ela não sentia dor. A floresta não parecia acabar, vários pokémon olhavam admirados para ela durante a trajetória e, somente depois de muito tempo, a corrida pela floresta parou.
A menina olhou em volta e deduziu estar em uma clareira. Uma clareira iluminada por um fraco feixe de luz e olhando mais um pouco ela achou, ao fundo, uma pequena caixa de pássaros de pedras cheia de musgo.

O sonho acabou e Jolyeta acordou bocejando, como se tivesse tido uma longa noite de sono. Já estava amanhecendo e isso era nítido pela fraca luz do sol que invadia o quarto em que ela estava.

Jolyeta: Onde... Onde eu to? - Seus olhos foram lançados para o teto e de cara conseguiu reconhecer a característica estampa de pokebola do Centro Pokémon. — Xatu, o que tu fez?! Não posso estar aqui-iiIiIiii!!! - E no fim da frase olhou para o lado, dando de cara com o menino do Hyper Beam, acabando por prolongar demais a última palavra.

Xatu e Pompa gargalhavam de rir da janela do quarto no Centro Pokémon. O treinador se remexeu na cama e instantaneamente os dois pokémon saíram pela janela ao mesmo tempo em que Jolyeta se jogou de baixo da cama.

Menino: Droga de sol... - Ele resmungou enquanto ainda estava na cama.

E isso durou por cinco segundos antes que ele pulasse da cama aos berros tirando a camisa e olhando para a própria barriga. Jolyeta tapou a boca pra evitar os risos.

Menino: Santo Ho-Oh! - Falou em meio a um suspiro de alívio. — Que sonho maluco! - Continuou enquanto passava as mãos no rosto.

Joy: Senhor Blukleaf? - Uma voz preocupada ecoou no corredor enquanto a porta recebia batidas. — Está tudo bem?

Menino: Ahm... - Ele se vira para o espelho do quarto. — Tá, Joy.

Depois disso, o menino tirou o pijama e colocou suas roupas de jornada, Jolyeta fechou os olhos e se virou para a parede, evitando assistir qualquer coisa. A porta se abriu e depois se fechou, indicando a saída dele.
Jolyeta esperou dois minutos e saiu de baixo da cama.

Jolyeta: Achei que tava ficando louca quando sonhei que entreguei a Flauta Dourada... Ainda bem que não estou... - Sorriu, aliviada. — Ai meu pai, eu entreguei a Flauta Dourada!!!! - Quase que explodiu de tão vermelha que ficou.

E foi aí que a maçaneta da porta do quarto girou, as enfermeiras limpavam o quarto depois que o hospede o desocupava e Jolyeta tinha esquecido totalmente.

???: Serviço de quarto, Joy em trabalho! - Uma voz masculina falou enquanto empurrava o carrinho com produtos de limpeza. — O que acha, Lil'pup, fui bem?

— Poup, poup! - Um cachorrinho felpudo latiu em afirmação enquanto entrava no quarto todo animado. As pontas da pelagem em seu rosto eram pintadas em roxo e preto.

Assim que a porta se fechou atrás do Joy, ele e Jolyeta se viram ao mesmo tempo. Travando os olhares um no outro.

— Po...up? - O Lillipup virou a cabeça de lado, confuso.

Joy: Joly? Hoje não é seu dia de limpar quartos, o que tá fazendo aqui? - O garoto disse, a cabeça estava inclinada para o lado do mesmo jeito que Lillipup. — Ainda mais seu penteado de Joy!

Jolyeta: Eu tava... Vendo o quão bonito é o quarto, Jonny. - Ela sorri.

Jonny e Jolyeta eram irmãos, irmãos gêmeos, e o menino era o primeiro a nascer naquele sexo depois de dez gerações, era uma raridade em pessoa.

Jonny: Eu sei quando tú ta mentindo. Quer dizer, o Lil'pup sabe, e eu só sigo os sinais dele. - Ele ri, olhando para os pelos nas costas do cachorro que estavam arrepiados.

Jolyeta: Ahm... Ta. - Ela suspira. — Eupegueiaflautadouradaedeiparaummonge. - Joly parecia um rapper cantando de tão rápido que tinha falado.

Jonny: Você o que?! - O menino gritou, soltando da mão o rodo que segurava.

Jolyeta: Olha, calma, eu não tive culpa, okay? FoiumWigglytuffquemehipnotizou... - Murmurou, toda nervosa. — E eu tive um sonho estranho depois, viumacasinhanaflorestacomumsinoeeramuitoestranho.

Jonny: Joly, senta e respira.

Jonny se aproxima da irmã e a abraça de lado, sentando com ela na cama. Toda a história sobre o dia passado é contado e quanto pior ficava, mais engraçadas eram as caras de indignação que o menino fazia.

Jolyeta: E agora eu quero saber como aquele menino não levou nada do Hyper Beam!

Jonny: Gostei da parte que você tem a visão na floresta, acho que foi o clímax! - Os olhos dele brilhavam. — Um dia seremos nós, né, Lil'pup?

— Pooouuuup!!! - O pequeno deu um uivo de felicidade.

A mão de Jolyeta se ergueu e em seguida Jonny levou um tapa na nuca, quase que indo de cara no chão.

Jonny: Ei! Isso machuca, idiota! - Reclamou enquanto coçava a nuca vermelha.

Jolyeta: Isso é sério, tapado! Preciso de ajuda.

Jonny: Por que não vai atrás do moleque? Ele deve ter respostas. - Resmungou. — Vai no porto, todo treinador só sai da cidade se vencer a Marissa, lembra?

Os olhos de Jolyeta se arregalaram e ela sorriu, abraçando o irmão e falando vários "Te amo".
A menina arrumou uma pequena mochila rosa com orelhas de Clefairy e saiu do Centro Pokémon pela janela, afinal, não podia ser vista.
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Neth: E você não me achou no porto? - O treinador perguntou.

Neth e Jolyeta estavam sentados na grama da rota, o menino estava desconfiado dos atos dela e pediu explicações, recebendo em troca toda a história desde o dia da flauta.

Jolyeta: Achei, inclusive pegamos o mesmo navio. - Suspirou.

Estavam todos os passageiros saindo do navio, finalmente tinham chegado em Goldenrod. Jolyeta vestiu um casaco preto para evitar ser reconhecida por outras Joy's e saiu do quarto, sendo empurrada sem querer por um treinador que passava.

Jolyeta: Olha por onde anda! - Reclamou, mas foi ignorada. — Mal educado.

A lembrança de Jolyeta se desfez e então Neth se fez de desentendido, se lembrava de ter esbarrado em alguém quando saia do navio e de ter ignorado sua reclamação, mas não iria assumir que era ele.

Neth: Olha, pelo que entendi você quer saber da flauta e das... Folhas que me cobriam, né?

Jolyeta: Isso! Exatamente, pode me falar? - Os olhos dele brilhavam.

Neth: Eu não... Não sei nada sobre os monges, nem da flauta e... Muito menos desse negócio de folhas, tem certeza que tinham folhas em mim? - Respondeu enquanto se levantava, confuso.

Jolyeta se levantou também e suspirou antes de caminhar até o buraco em que Neth tinha caído depois da conversa com o monge Rony.

Jolyeta: É tão difícil acreditar? - E apontou para o buraco.

Neth se aproximou do buraco e semicerrou os olhos ao ver várias folhas aonde ele estava caído, só sendo possível saber essa última informação graças ao formato perfeito de onde o corpo dele estava.

Neth: Que droga é essa...? - Engoliu em seco logo em seguida.

Jolyeta: Você quem deveria saber. Não é normal ser coberto de folhas sempre que é atacado.

Os arbustos próximos começaram a se remexer e, antes que qualquer um dos dois treinadores tivessem uma reação, de dentro deles saiu um cachorro cor creme com a cauda de pincel. Neth reconheceu ele de primeiro e arregalou os olhos.

Neth: O Smeargle do Senhor S!

Saga dos Pergaminhos - Capítulo 5

No último capítulo...
Neth finalmente chega em Goldenrod e conhece Whitney, uma líder de ginásio veterana. Por indicação da mulher, ele decide ir para a palestra do Professor Tracey, mas as coisas saem do controle quando o Porygon-2 do professor é sequestrado por monges!

Tenha uma boa leitura!

Os moradores da cidade subiam em grandes Mantine's vestidas com mantas da polícia, os pokémon erguiam voo assim que oito pessoas ocupavam seus lugares nas costas deles. Enquanto isso nas ruas próximas da onde tudo começou - no teatro -, policiais se juntavam às crianças para combater o avanço das raízes e também conter os monges.

Policial Janne: Stantler, Psychic!

As esferas presentes no chifres do pokemon cervo começaram a girar antes que ele batesse o casco dianteiro direito no chão. A rua à frente dele passou a se erguer em uma fina linha reta e por onde passava os inimigos eram erguidos no ar envoltos por uma aura azul, todos eles gritavam assustados.

Policial Janne: Vocês estão presos em nome de Johto!

As crianças que batalhavam sem descanso passaram a comemorar com gritos e abraços.
Em outro quarteirão, Whitney estava em cima de seu Tauros enquanto ele corria no campo de batalha congelando alguns treinadores de veste cinzenta com seu Icy Wind. Neth estava na garupa.


Whitney: Turma da Whitney, protejam a cidade de Goldenrod! - A professora gritou, parecia animada demais para uma situação horrível como aquela. - Aliás, gostei do seu nome, menino de Cianwood, haha! Vem do que? Taneth? Clauneth?


Neth: Neth Blukleaf. Nada mais que Neth. - Respondeu secamente. Seu olhar era fixo no monge de kimono branco e roxo que corria ao fundo. - Precisa ir mais rápido, Tauros!

Ao lado deles, três alunos comandavam seus pokémon - um Magby e duas Cleffa - as Cleffa apoiavam suas mãos brilhantes de Helping Hand nos ombros de Magby, uma aura branca cobria o pokémon.

Aluna: Magby, Heat Wave! - A menina ordenou.

Toda a aura branca que o cobria se concentrou em seu bico antes que o patinho disparasse ondas de fogo contra os Bellsprout inimigos, estes que foram cobertos em chamas e derrotados instantaneamente.

Monges: Monges, retirar! - Os três homens de mantos cinzentos gritam ao mesmo tempo enquanto retornam seus pokémon e saem correndo.

Whitney: Esses são meus alunos, Neth. Treinados há dois anos para situações do tipo. - Ela dizia orgulhosa. - Tauros, Wild Charge!

Os cascos de Tauros começaram a faiscar e logo um manto de eletricidade cobriu o pokémon e os dois treinadores, que dispararam por entre a calçada, onde não havia batalha. O monge misterioso dobrou uma esquina e seguiu para a Rota 34, Tauros fez a mesma coisa e logo acertou uma cabeçada nas costas do fugitivo, o derrubando no chão de terra.

Whitney: Muito bem, meu pequeno, haha. - Ela deu duas batidas no tronco do touro antes de descer.

Neth: Devolva o Porygon-2. - Disse enquanto pulava do Tauros. Ver a cidade se destruindo com as raízes tinha deixado seus nervos a flor da pele, não conseguia nem imaginar o que elas fariam na sua querida fazenda.

Monge Rony: Este pokémon nasceu e viveu com humanos, meu filho. - A voz calma do monge era impressionante considerando a situação. - Está na hora dele voltar a ser livre, e eu, Monge Rony, fui designado a esta tarefa.


Whitney: Não é você quem decide is- - A fala da líder foi cortada pela ordem de Neth.

Neth: Monstro, Thundershock! - Gritou.

Mareep saiu da pokebola e uma poderosa descarga elétrica foi disparada no monge, este que caiu tremendo no chão, consequentemente derrubando a gaiola de raízes que segurava Porygon-2.

Whitney: Santo leite em pó... Chocada. - Disse com a mão na boca.

Neth se aproximou para pegar a gaiola, mas não conseguiu. Um cipó saiu das árvores e puxou a gaiola de Porygon-2 rapidamente, foi possível ver o objeto passando de cipó para cipó até sumir na escuridão da floresta.

Neth: Quê foi isso? - Agora era ele quem estava "chocado".

Monge Rony: A natureza sempre esteve do lado dos monges... Agora mais do que nunca. - O monge se levantava com a mão no queixo, ele ainda tremia um pouco. - Logo, não será só o Porygon-2 que ficará livre das mãos dos humanos. Eles cansaram de serem explorados. - Rony lambeu os próprios lábios enquanto olhava para Mareep e Tauros.

Neth se lembrou dos Machoke e Donphan ajudando a carregar caixas pesadas no Porto de Cianwood e também dos comerciais de roupas feitas com pelos e lãs de pokémon. Era fácil entender a revolta dos monges, só era necessário uma rápida olhada em qualquer cidade para assistir os pokémon e seu trabalho pesado.


Whitney: O que quer dizer com isso? - Sua mão foi posta em cima das pokébolas presentes no cinto. Talvez por medo de perder seus pokémon ou por simples precaução.

O monge olhou para Whitney com desprezo e a ignorou, levando os olhos para Neth.

Monge Rony: Neth Blukleaf, o menino da Mareep. Monge Gabriel me contou do seu instinto heroico. Tome cuidado, filho. - E novamente lambeu os lábios. - Sandslash, agora.

Mareep olhou para baixo e notou uma rachadura formando um círculo perfeito em volta de todos, mas não teve tempo de avisar. O chão tremeu e se abriu, não demorando para os dois treinadores e seus pokémon caíssem num buraco fundo.



Neth piscou com dificuldades graças a grande nuvem de terra que se ergueu, mas lá de cima conseguiu ver Monge Rony e Sandslash olhando para eles e depois irem embora. Após isso, tudo escureceu.
No sonho, ainda permanecia tudo escuro para Neth. Até que ecos de vozes e fogo queimando invadiram sua audição.
 
"Croc...!Fire FAN...!" - Os gritos começaram audíveis, mas aos poucos passaram a se embaralhar e a serem ditos de uma única vez, tornando impossível de se entender. A gritaria era insana e Neth tentou tampar seus ouvidos, mas nem ao menos sentia a existência de suas mãos.

Neth: CHEGA! Por favor, chega! Eu não pedi isso, eu não escolhi ouvir vocês! - Agora era ele quem tinha gritado, fazendo com que todo o resto ficasse em silêncio.

"Você não escolheu, você foi escolhido, Kenneth." - Todas as vozes falaram a mesma coisa em uníssono.

Neth: Eu fui...? - Ele ria continuar a frase, mas perdeu a voz antes de terminar a fala.

A escuridão ganhou luz quando faíscas começaram a aparecer na frente de seus olhos, a eletricidade coloriu seu rosto e se espalhou por seu corpo, iluminando todo um cenário. Neth estava em uma cidade destruída e bem na sua frente estava uma versão diferente dele, um outro Neth, caído no chão enquanto tentava fugir de um grande pokemon amarelo com listras pretas.

Neth: Cuidado! - E iria gritar mais se a eletricidade em seu corpo não tivesse rendido um forte choque.

O sonho todo se desfez e em instantes a imagem de Mareep cercada de eletricidade e usando seu Thundershock se formou.

Neth: AAAAAAI QUE DROGA, MAREEP! - Gritou enquanto acordava num pulo, até mesmo esquecendo que não chamava aquele monstro pelo nome.

???: Mil perdões! Fomos nós que pedimos. A Chesto Berry não funcionou, então resolvemos apelar para os choques. - Uma voz feminina disse atrás do treinador, seguida de um grito otimista "TOTOTOTODILE!".

- Riiip... - O ovelha confirmou e saltitou para ficar ao lado de quem estava atrás de Neth.

Neth: Nós quem? - Perguntou enquanto se virava, mas se calou rapidamente ao ver quem era.

Bem na frente dele estava uma uma garota de cabelos rosa e impressionantes olhos verdes, mas Neth sabia que não era uma garota qualquer, era a enfermeira que ele tinha visto fugindo do Centro Pokémon com seu Totodile e também com a Flauta Dourada, uma das enfermeiras de Cianwood.

Jolyeta: É um prazer te rever, Neth Blukleaf. Me chame de Joly, Jolyeta. - E esticou a mão, o Totodile aos seus pés imitava o gesto para Mareep.

Saga dos Pergaminhos - Capítulo 4

Tenha uma boa leitura!

Um menino de, no máximo, sete anos, estava sentado num fardo de feno esperando seu pai chegar. Os olhos do pequeno brilhavam e seu cabelo encaracolado era a própria definição da palavra "bagunça". A porta do celeiro se abriu e várias Miltank entraram no local, cada uma se dirigindo para um fardo na intenção de se alimentar, ao contrário de uma em especial que permaneceu de pé ao lado de um homem de camisa xadrez e macacão jeans, ambas peças sujas.


Nathan: Bom dia, Neth! - Cantarolou, sorridente. - Quer ver seu presente?

Neth: Oiiii, pai! Bom dia, Miltank! - Correu em pulinhos até a pokemon vaca e a abraçou. - Presente? Quero, quero!

O mais velho se virou e pegou  um saco de pancadas amarelo de dentro de uma mochila, o mostrando para o filho e arrancando um enorme sorriso do rosto dele.
Uma névoa cobriu o celeiro por rápidos segundos antes de mostrar Neth mais velho, com seu pai e sua mãe na cozinha. Em cima da mesa, estava uma caixa que mostrava carregar uma máquina de fazer roupas - era o que estava escrito na estampa do papelão ao lado de uma logo "C.R.E".

Mais uma vez, a névoa cobriu todo o lugar e agora estavam na frente do celeiro. Neth já tinha doze anos.

Neth: Pai! - Ele gritou e foi correndo abraçar seu pai, que usava uma roupa social. - Vamos treinar hoje?! Já to bem foRte!

Nathan: Olha, Neth, hoje não vai dar. - Ele afasta o filho e o beija no topo da testa antes de sair andando.

Ao redor do menino desolado, várias Mareep e Flaffy de lã cortada pastavam ao lado das velhas Miltank's da fazenda.
A visão do espectador vai se afastando e Neth diminuindo conforme a distância aumentava até que o som de um navio atracando acorda a pessoa que sonhava com aquilo.

Neth: Droga de navio! - Exclamou com a mão no peito, seu coração tinha acelerado com o susto.

Não demorou para que ele trocasse o pijama pela roupa de viagem e saísse do quarto com as suas coisas na mochila. Andava de cabeça baixa enquanto se lembrava do sonho-que-não-era-sonho que teve, se perguntava como ainda estava vivo depois do Wigglytuff o atacar.
A falta de atenção o fez esbarrar numa pessoa encapuzada, mas ignorou a reclamação dela e saiu andando para finalmente sair do navio.

Marcel: Bem-vindos à Goldenrod, meu nome é Marcel e vou mostrar que o futuro de Johto está aqui!

O homem lia suas falas em um celular e Neth só sabia que aquele era o nome do aparelho graças aos jornais de compras. Uma treinadora carregando um Ledyba nos braços mostrou um eletrônico vermelho para Marcel enquanto fazia pose, como se tivessem ensaiado.

Marcel: Olhem e admirem o futuro! A mais nova Pokedex Johtense!

A tal Pokédex era um pequeno quadrado com um centímetro de grossura na cor vermelha e com um círculo azul no centro.
Marcel a deixou na vertical, de pé, e apontou para Ledyba. O pokemon foi escaneado com uma luz azul e um bipe foi acionado, indicando que as informações haviam sido coletadas.

Pokédex: Ledyba, o pokemon joaninha. Quando fica frio, grupos de Ledyba de vários lugares se juntam para formar um grande casulo e manter uns aos outros aquecidos. - O eletrônico falava enquanto exibia um holograma de Ledyba.

A essa altura, todas as pessoas já haviam saído do navio e formavam uma multidão em volta de Marcel. Neth? Neth tinha saído andando e agora caminhava pela cidade.
Passou por uma loja de roupas com uma televisão na vitrine mostrando um comercial, nele aparecia uma mulher usando um casaco felpudo enquanto dizia "Use os casacos eletrizantes de...", mas o treinador não esperou pra ver até o fim, só continuou andando.
Por toda a cidade era possível ver a Torre de Rádio, assim como os vários Natu's voando ao redor dela, o que tinha roubado a atenção do treinador.

???: Miltank, Fire Punch!

Neth sente seu corpo esfriar e vira para trás assustado, logo notando uma pokémon vaca recolhendo o calor em volta dela para formar uma poderosa cobertura de chamas em seu punho direito e socá-lo em várias raízes que cobriam os rodapés de uma construção.

Neth: Essas raízes... - Um pequeno flash de memória o lembrou da raíz na montanha.

???: Pequeno, o que eu disse? Todas as crianças devem ir para o teatro na palestra do Professor Tracey! - A mulher que estava de costas amarra o cabelo num rabo de cavalo graças ao calor que tinha chegado. - Venha, vou te levar lá.

Neth: Mas o que...

A mulher se vira olhando para baixo enquanto esperava avistar uma criancinha, mas se surpreende ao ver que esteva errada.

???: Ai santo leite morno, me desculpe! Achei que fosse um dos meus alunos, mas alguém da pré-escola não tem esse tamanho haha! 

Neth: Ahm... Ta... - Ele coça a nuca, sem saber o que dizer. — O que é isso? - Disse apontando para as raízes, ignorando totalmente o que ela tinha dito.

???: É informação confidencial da Elite de Johto. - Ela faz um X na boca com o dedo indicador esquerdo. - Aliás, quem é você? Nunca te vi, haha.

- Miul...

Miltank cobre o rosto com os cascos em pura vergonha da treinadora.

Neth: Sou de Cianwood. 

É o que diz antes de olhar para toda a construção que tinha raízes nos rodapés e notar que aquilo era um ginásio, tudo graças ao símbolo no topo, o mesmo que tinha no ginásio de Marissa. Uma rápida olhada na parede também mostrou um cartaz promovendo a compra do Leite Milthney, da criadora Whitney.

Whitney: Ah! Esse cartaz é antigo feito a minha vó, haha. Eu tinha sua idade nessa foto. - Disse ao seguir o olhar de Neth. — Foi uma parceria com a C.R.E., aquela empresa de crentes.

Neth: Todos os líderes de ginásio de Johto têm cabelo rosa? - Perguntou mentalmente para si mesmo. - Ahm... Ta bom. Eu vou indo.

Miltank se descobre e revela um olho curioso observando o treinador, mas não faz nada.

Whitney: Menino estranho, né? Credo.

Neth já tinha voltado a andar quando ouviu ao fundo Whitney pedindo outro Fire Punch naquelas estranhas raízes.

Neth: "Professor Tracey"... Talvez ele saiba de algo. - Falava com a pokébola de Mareep.

O garoto andou por quatro ruas diferentes e em todas notou televisores promovendo "Os mais novos casacos SHOCKantes" ou "As BOLTas que farão você andar confortavelmente". Na quinta rua, uma construção chamou sua atenção, se lembrava de ter ido ali com seu pai quando era um cassino, mas agora o lugar era ocupado por um teatro.

Neth: Essa cidade mudou muito... - Resmungou enquanto entrava no lugar que tinha as portas abertas.

O teatro era um grande salão de teto azul escuro pintado com estrelas e paredes cobertas por cortinas pretas. Um palco retangular ocupava uma grande parte ao fundo e bem na frente dele se iniciavam longas fileiras de poltronas pretas. Em cima do palco, um homem de aparência jovem vestindo um jaleco tinha animação na fala.

Professor Tracey: Pokemon como o meu Porygon-2 são essenciais para o avanço da ciência e tecnologia. - Dizia enquanto observava o monstro flutuando ao seu lado. - A nova Johto-Dex foi projetada com a ajuda dele, inclusive.

As crianças ocupavam várias cadeiras e algumas carregavam pokémon's, como por exemplo uma menina que tinha no colo sua Sentret cheia de fitas rosas na cauda e um menino que tinha a cabeça coberta por um gás arroxeado, demorou para que Neth notasse ser um Gastly brincando.

Professor Tracey: Porygon-2 também nos ajuda com seu sistema GPS, isso facilita muito as pesquisas dos professores. Vamos dar uma demonstração, Ryng? Localize alguém que não é dessa cidade além de mim e o Senhor S, por favor. - Ele sorri.

Tracey olha para um lugar na primeira fileira e Neth seguiu o olhar, conseguindo ver somente um chapéu de ponta fina, tinha reconhecido o nome "Senhor S" assim que ouviu, era o chefe da delegacia de Cianwood! A distração impediu que ele percebesse Porygon-2 bem em cima da sua cabeça, um estranho monstro similar a um balão de cores azul e rosa.

Professor Tracey: Olhem lá, localizou! Bem-vindo, jovem. Qual o seu nome?

Todas as crianças se viram para olhar Neth, o que o faz ficar vermelho

Neth: Eu... Vou me sentar... - Murmurou enquanto se sentava, arrancando risos da platéia.

Tracey faz uma careta e resolve dar continuidade a sua palestra. A Johto-Dex mostrada por Marcel no porto foi apresentada para os futuros treinadores junta de suas funções "Lanterna" e "Chamada de Voz".

Tudo isso acontecia com um enorme slide na parede atrás do palestrante.
"O futuro de Johto com Professor Tracey!" e no canto inferior esquerdo uma logo de "C.R.E.".

Professor Tracey: Agora vamos ao final da palestra. Acho que a Whitney falou para vocês que iriam presenciar o fenômeno da evolução, não é?

As crianças pulam de animação e algumas até se levantavam da poltrona, animadas para assistir.

Schoolkid Jerry: Evolui meu Pineco! - Disse enquanto erguia o pokémon pinha que dormia.

Schoolkid Karen: Evolui meu Diglett, por favorzinho! - Um Digglet com fiapos amarelos na cabeça estava dentro do vaso de terra que a menina carregava nos braços.

Professor Tracey: Hehe, peço para que todos se acalmem. - Tracey retira uma caixa de vidro contendo um CD roxo dentro. — Esse é o Dubious Disc e nosso querido Ryng irá evoluir com ele.

O CD é retirado da caixa e lentamente aproximado do pokémon que flutuava, Neth pôde notar o brilhos nos olhos das crianças, mas eles não eram nada comparado ao brilho que Porygon-2 começou a emitir ao entrar em contato com o Dubious Disc.
Raios coloridos foram disparados para todos os lados e só foi possível escutar um "ABAIXEM-SE!". Neth cobriu os olhos com o braço direito e por uma brecha assistiu o pokémon de Senhor S saltar e girar a cauda em formato de pincel, fazendo um Reflect para proteger a todos.

Professor Tracey: Ryng!! - Ele passou a tossir e era possível escutar graças ao microfone.

As crianças corriam para fora do teatro assustadas, os seguranças ajudavam algumas que estavam travadas graças ao medo. Lá do lado de fora estava Whitney em cima de seu Tauros toda sorridente.

Whitney: Olá, queridos, haha! Gostaram da palestra? Como é a evolução do Porygon-2? - Perguntava para cada criança que passava por ela, nem notando que estavam chorando de medo.

Os raios pararam de ser emitidos e uma esfera branca e brilhante pousou no chão, revelando ser o Dubious Disc. Atrás do disco, estava Tracey caído no chão com o nariz sangrando.
Neth instintivamente correu para o palco e ajudou o professor a se levantar, preocupado.

Neth: Evoluções são tudo assim, professor?

Tracey: Não... Ela foi interrompida. - Disse enquanto limpava o sangue na manga do jaleco, em seguida olhando para cima, na direção de um buraco no teto. — Levaram o Ryng.

A porta do teatro se arrombou e os dois só conseguiram avistar o rabo de pincel do pokémon do Senhor S.

Tracey: Sem aquele pokémon eu nunca vou conseguir concluir minhas pesquisas! E as raízes... Elas vão... - Ele soca a própria palma da mão, frustrado.

Neth: Eu... - Mal tinha terminado de falar e já se arrependia. — Vou ajudar a procurar. 

Os olhos do professor brilharam, mas Neth não o deu tempo para agradecer graças a sua velocidade em descer do palco e sair do teatro. A mente do jovem treinador só conseguia pensar em recuperar Porygon-2 e descobrir o que eram as raízes que subiam a montanha onde estava sua casa, mas toda a preocupação se esvaiu ao ver várias raízes verde-fluorescentes pela rua na frente do teatro.

Whitney: Como foram ensinados, meus pequenos alunos, haha! - Coordenava os alunos a atacar as raízes. — Tauros, Icy Wind!

Schoolgirl Karen: Será que ela não entende que não estamos mais no parquinho...? - Resmungou, toda bravinha. — Diggy, quebre o gelo com Metal Claw, agorinha mesmo!
 

Schoolboy Allan: Provavelmente não. - O menino respondeu, sua voz saia ecoada graças ao Gastly que ficava em volta de sua cabeça. — Gastly, tente Night Shade, acho que da bom...

O touro bufou pelo nariz uma rajada de neve que congelou algumas raízes que se moviam pelas laterais das calçadas; Em seguida, o chão à frente da Alola-Diglett se racha e uma mão metálica surge para arranhar o gelo e despedaçar as raízes, enquanto do lado direito, o Gastly de Allan emite ondas escuras de seu corpo, estas que cobrem o gelo e o explodem.

Whitney: Muito bem, haha! Vão tirar dez em Ação em Campo! - A professora elogiou sorridente enquanto observava os dois alunos dando um high-five como comemoração. — Agora vamos ajudar os outros!

Neth: Outros...?

Levando o olhar pela extensão da rua, outras dez crianças utilizavam seus pokémon para batalhar contra estranhos treinadores vestindo roupas cinzentas para se cobrir. Ao fundo deles, um homem de kimono branco e roxo corria com uma gaiola feita de raízes na mão.

Um pequeno flashback levou Neth de volta para o dia em que foi atacado pelo Wigglytuff com cicatriz na barriga, custou para que lembrasse o que ele era, mas conseguiu.

Neth: São monges! Vi um em Cianwood, Whitney. - Informou enquanto pegava a pokébola de Mareep do bolso.

Whitney: Monges, menino de Cianwood? Haha! Pensei que ele só rezassem.

Schoolboy Allan: Lembra daquela casa na Rota 34, Gastly? O monge que vivia lá era engraçado, haha! - O aluno comentou.

Neth: Onde fica isso? - Perguntou enquanto se aproximava do menino. — A Rota 34.

A expressão engraçada de Whitney se desfez e ela se aproximou com Tauros.

Whitney: A Rota 34 fica para lá.

Whitney ergueu a mão e apontou para o monge que agora sumia numa esquina. Neth cerrou os punhos e guardou a pokébola de Mareep.

Neth: Eu sou Neth de Cianwood. Preciso de ajuda pra recuperaR o Porygon que aquele monge roubou.

Whitney: Sobe aí, Neth, haha. Seja bem-vindo à Equipe Whitney. - Ela estende a mão para ajudar Neth a subir e demoram alguns segundos para que ele aceite a ajuda e suba na garupa, mas isso acontece. — Vamos salvar o Porygon!

Vários pontos da cidade liberavam fumaça graças as raízes que passavam descontroladamente pelos lugares, causando acidentes de carros e até mesmo pequenos incêndios nas casas que invadiam. Goldenrod estava infestada por algo que nada nem ninguém sabia de onde vinha.